domingo, 9 de abril de 2017

Por uma nova edição dos mandamentos de Moisés!

Aff, to legal de tanto discurso homofóbico travestido de religioso! Preciso desabafar!
Olha, percebo que o Deus dessa gente não parece nada com o meu!
Para alguém que julga, condena e pune o outro desse jeito, o deus deles (com letra minúscula mesmo) é um sujeito vigilantemente vingativo, punitivo, contraditório, até meio malvado e sádico, que espera para chegar no final e te mandar arder nos confins. E pior, ele faria isso só porque o cara é gay. Gay ama e não deveria importar a quem ele ama, é amor! Onde foi parar o mandamento que fala do amor no dia-a-dia dessa gente? Ele não era para ser um amor incondicional? Não rola uma contradição neste discurso?
Quero ser ousada o suficiente para sugerir uma necessária edição revisada e atualizada das Pedras do Moisés... é urgente e preciso acrescentar o respeito ao próximo como fundamentação à vida! Não só no discurso, tem que ser na prática diária (Moisés tem que botar um destaque em negrito neste tópico!!!!). Não quer amar, não ama (uma pena!), mas respeitar é o mínimo que se pode esperar de alguém adorador de Deus, que tem Deus no coração, nas palavras e nas atitudes.
Cada um tem o direito de ser quem é, o que quer, o que pode ser! É um direito! Simples assim!
Agora fica atento, se você, “hetero-convicto-não-pecador”, mantiver sua atitude em julgar, condenar e desrespeitar o próximo desse jeito, acho eu (na minha humilde opinião), vai ter que dar uma passadinha no endereço do “cramunhão” para prestar conta disso, hein! E se na tua lista tiver mais alguns pecadilhos que você faz quando ninguém está olhando ou quando esquece das sagradas escrituras... ai ai! Abre teu olho e veja bem a quem você verdadeiramente segue sendo assim e agindo assim! #ficadica!
Escolho meus amigos não baseada na categoria “sexo”, os escolho por seu caráter, sua dignidade, sua ética, seus princípios e valores, e por isso os amo!
Aos meus amigos, gays e não gays, o meu mais sincero respeito e o meu amor sem contradição! Namastê, porque o mesmo Deus que habita em mim, habita em ti e o saúda! Joyce Alves Rocha

terça-feira, 28 de abril de 2015

A vilania da expectativa





Vi na TV... “Pesquisadores de uma universidade em Toronto afirmam: Os casais do tipo ‘alma gêmea’, ‘metades da mesma laranja’, ‘um pro outro’ tem menos chance de dar certo e sofrem mais com a relação! Enquanto isso, na vida real, as relações em complexo dinamismo, com atritos, ajustes, pausas saudáveis, etc. tendem a dar certo!”
E foi assim que inspirei-me a escrever sobre o que já reflito faz um tempão...
Creio que em qualquer tipo de relação, não apenas entre casais, as expectativas criadas quanto à postura, atitudes e anseios “do outro” são marcas perigosas para o destino das partes envolvidas e da própria relação. Os pais, atados à expectativa, se acham capazes de escolher o melhor para os filhos. Esses, por sua vez, acreditam que fariam melhor se trocassem de lugar com os pais. O chefe espera, quase sempre, algo diferente do seu funcionário que, por outro lado, tem a esperança de ter o reconhecimento que considera justo. O vizinho tem a expectativa que você não faça barulho e nunca dê uma festa ou receba visitas... e por aí vai! Cria-se assim uma série de expectativas.
Porém, quando o assunto é entre casais... o caso se agrava!
Quando iniciamos uma relação, a deixamos nascer com a expectativa de amar e ser amado de forma torrencial, de nutrirmos paixão eterna, de estarmos juntos na saúde ou na doença, de dividirmos uma vida inteira, de sermos fiéis até que a morte se encarregue do resto... E assim, corremos um enorme risco de nos frustrarmos.
Nós mulheres, umas mais outras menos, porém todas em alguma proporção, sonhamos com um homem que nos valorize, que compartilhe dos proventos, que nos trate como princesas, mas que “nos conceda o direito” de mostrar que somos fortes e, de certa forma, livres, mesmo estando presas. E os homens, cada qual do seu jeito, criam seus sonhos de mulher que guarde a beleza necessária para alimentar seu tesão e que seja ao mesmo tempo boa mãe e boa conservadora do patrimônio familiar.
Sei que são estigmas sociais estes que compõem minha análise. Reconheço isso. Mas, reconheço também, por experiência vivida, que tais expectativas ainda pairam sobre a constituição das relações, mesmo em tempos modernos e tendo sofrido certas modificações contemporâneas. Até porque, os relatos que chegam a mim, é que inclusive com casais homossexuais as coisas se processam da mesma maneira, cheias de expectativas.
E quando o tema da expectativa é comportamental, não apenas no sentido socioeconômico historicamente determinado, mas etológico mesmo (chamo de comportamento aquilo que é percebido das reações de um animal ao ambiente que o cerca e que são, por sua vez, influenciadas por fatores internos variáveis) a coisa se complica. Criamos uma série de ideias do que seja a relação dos nossos sonhos e nos agarramos aos preceitos, deixando, muitas vezes, as oportunas relações assimétricas escaparem por guardarem a aparência de não-promissoras (baseados na analogia da metade da laranja). E elas escapam por entre os dedos. São desperdiçadas.
Bom, não é minha intenção dizer aqui se acho possível escapar da vilã expectativa. Entretanto, de um tempo pra cá, desde que parei para pensar sobre isso, tenho procurado por um novo modelo de me relacionar. Vislumbro uma relação na qual possa deixar claro o que quero, do que não gosto, quem sou eu, o que não quero, onde posso ceder e do que não abro mão. Para mim, se não for assim, não vale a pena! Antes só, do que mal acompanhada!
Já vivi relações mascaradas com a ingênua fantasia de que podemos nos adequar em moldes forçados, com a infeliz ideia de não frustrar as expectativas do outro. Mas, essas não duram, e comigo não poderia ser diferente, pois mais cedo ou mais tarde o calo há de apertar. Daí só resta a solução de nos livrarmos do incômodo sapato apertado e nos frustramos mais uma vez.
Aí você se pergunta: você já conseguiu seu intento? Óbvio que não hehehehe... só para ilustrar... certa vez disse pro cara que queria um relacionamento leve, sem pressão, com a perspectiva (e não expectativa) de curtirmos a evolução da relação com maturidade, ficando o máximo possível só com a “parte boa”. Resposta: “não sou homem de viver nada pela metade” (uiiii acho que não me fiz entender meeeesmo). De outra feita, propus uma relação bacana, mas no modelo “cada macaco em seu galho”. Resposta: “pra mim é tudo ou nada!” (Como assim tudo? Como assim nada? Escolhi o nada!).
Será que é mesmo tão difícil entender? Desejo um relacionamento sem a expectativa da infinitude, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure; sem o peso da espada, buscando a paz; sem o pensamento de que sou ‘responsável pelo que cativo’ (não quero ninguém em cativeiros, sou contra a escravidão) e sem a ideia fixa e socialmente apregoada de dividir a vida, ao invés de compartilhá-la. Quero viver e deixar viver. Quero cuidar do jardim para que a borboleta volte, se assim for o seu desejo, e prendê-la jamais.
Termino assim, sem maiores expectativas.



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Nascer e ser mulher, inspirada pela De Beauvoir!

"Não se nasce mulher , torna-se uma", frase célebre de Simone De Beauvoir. Ela complementa: "Seu significado é muito simples, que ser mulher não é um fato natural. É o resultado de uma determinada história. Não existe destino biológico ou psicológico que define uma mulher como tal .... Bebês são fabricados para se tornar mulheres". Assim ela expõe a idéia de que as diferenças sexuais são apenas suficientes para justificar hierarquias de gênero de status e poder social. Status de um "ser de segunda classe" - as mulheres. E ela argumenta que isso resulta de um longo processo histórico de assimetria. Mesmo se as instituições já não intencionem privar as mulheres de poder, elas ainda pretendem assegurar os homens de um poder historicamente acumulado.
E OLHA QUE ELA DISSE ISSO FAZ UM TEMPÃO, HEIN! Eu, Joyce Alves Rocha, penso assim: ABAIXO O DETERMINISMO BIOLÓGICO utilizado para justificar distorções e assimetrias sociais de qualquer natureza ("racial", "de gênero", "sexual", "religiosa"...)!!!!! Ele só é mais uma forma de dominação!!!!! Somos sim, seres sociais, e como tais experimentamos um cenário social onde passamos a vida e nos acostumamos a ele, muitas vezes sem raciocinar sobre seus valores constituintes. Entretanto, antes de qualquer coisa lembremos que somos seres pensantes! Exercitemos esse outro lado!!!! Onde foi parar nosso senso crítico? Terá sido dominado? Podemos e devemos fazer diferente! Palavra de uma bióloga em momento de reflexão!!!!!

Como nascem as justificativas:
 

Como devemos pensar:
 
Joyce Alves Rocha

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Amor Inventado

Sim, sou exagerada! Adoro um "Amor Inventado"! Na simplicidade dos fatos e possibilidades, para Meu Amor Imaginário sempre verto dedicação em forma de canção. Com Ele não há decepções pois não há expectativas, não há rusgas ou máculas, nem dias nublados ou angústias, apenas licença poética! A Ele vão meus chicos, caetanos, caymmis, gils, bethanias, gonzaguinhas... verdadeiros amores em forma de notas musicais. E quando a concretude chegar, estarei inundada de poesia para ver o raiar de um novo dia.



E por falar em "Meu Amor":

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada

E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

 ***

Meus Melodias também! Eu, vou fazer amor,
Um ninho
Com amor, muito carinho
Pra você se abrigar
Eu vou lhe dar

Amor tão puro
Que maior amor eu juro
Você não vai encontrar
E entre nuvens de beijos
Seus desejos serão meus
Amor, vou lhe dar e é tão sincero
Que você amor espero
Não vai querer me deixar
E quando no fim da estrada
Minha amada
O inverno tristonho chegar
Mais amor eu vou ter pra lhe dar
Faça dos meus braços o seu ninho
Tenho amor muito carinho
E estou a lhe ofertar.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Aos palavrudos...

Ontem aprendi algo interessante. Decidi compartilhar. O que são os palavrões se não a apropriação de um termo em um novo sentido? Quem de nós já não mandou, ou ao menos pensou em mandar alguém para a "casa do caralho"????
Pois é, veja isso...
caralho era um pedaço de pau grande e forte que mantinha as videiras em posição favorável a colheita. Com o tempo, também virou o mastro forte, duro e enoooorme (hehehe) das grandes embarcações do período das navegações. Lá, na ponta do mastro - na ponta do CARALHO - encontrava-se uma "cestinha" (chamada de casa) onde podia ficar uma pessoa. Por necessidade, ou como punição, o capitão da nau podia mandar um de seus marinheiros para a "CASA DO CARALHO" para avistar novas terras, tempestades, monstros marinho etc...rsrsrs. Cá entre nós, isso explica muita coisa...o Brasil foi descoberto ("terra a viiiiistaaaaa") lá da CASA DO CARALHO! KKKKKKK
Momento Palavrão Cultural KKKKK
Fique sabendo, se você não se comportar bem, te mando para a Casa do Caralho e ainda alego cultura ao fazê-lo! kkkk
#Ficadica!

Meu avô Ivalino, homem de muito respeito, falava da função terapêutica de um bom palavrão aplicado na hora certa...quem aki já não se previniu de um infarto gritando caraaaalho num gol perdido? não diminui a dor numa topada com um belo "puta que pariu"? Evitou morrer de cólera chamando um politico de filho da puta? E assim vai... falar palavrão não é falta de pudor é saber usar a coisa certa na hora certa! kkkk #ficamaisumadica!
Quando meu avô, que nunca deu um beliscão em nenhum filho ou neto, via a gente fazendo merda ele dizia: "dou-te uma porrada que tu te cagas todo" (essa é oooootima e inesquecível, né Jaqueline Alves e Felipe Alves?) sumia toooodo mundo, parávamos de fazer besteira e isso sem violência rsrs! Viu só, palavrão tb educa! hahahahahahah #ficaadicaeducativa
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Tenho que escolher melhor!

terça-feira, 5 de junho de 2012


 Eureka! Minha eureka...Deus mora lá

Após uma pequena prática de yoga sobre o costão rochoso, caminhava pela praia de Tucuns (Búzios/RJ) quando (re)pensei essas coisas...
Lá estava eu, em estado de absoluto torpor ao me deparar com a beleza estonteante de um azul único, um “azul quase inexistente, azul que não há, azul que é pura memória de algum lugar”, como diria Caetano. Era uma imensidão de azul que imbricava céu e mar, numa moldura de diferentes verdes com a sinuosidade das curvas da areia. Era lindo! Parei e refleti. Lágrimas traçaram uma correnteza de felicidade. Vi-me fazendo parte daquilo tudo. Sou eu a natureza, estou nela e ela está em mim. Encontrei o Meu Deus!
Era tudo junto. Mar, eu, areia, céu, cactos, pássaros, algas, ouriços e muito mais... sol, eu, lua, estrelas e muito mais... Foi um momento mágico. Você não estava lá, mas sabia que fazíamos parte um do outro.Vi um pedacinho de mim em cada ser, em cada matéria. Foi um alívio!
Digo alívio porque ao longo da existência consciente do Homem, forjamos Deus em um metal muito humano (isso em minha opinião, claro!). O Deus-humano vigia, pune, massacra, põe à prova a natureza dos seres quando a limita utilizando argumentos criados e recriados de acordo com interesses puramente humanos (sociais). E ao constatar que dentro de mim havia um Deus muito mais simples, que é pura energia, chorei de emoção.
Lá estava Ele diante de mim, dentro de mim, para além de mim. Era simples ver. Não tive medo, pois Ele não estava esperando a minha confissão, tampouco me faria pagar a penitência por tantos anos renitentes a sua crença incondicional. Por anos amarguei uma certa culpa pela rebeldia de não ter uma religião, algo que sempre considerei humano demais para abrigar meus questionamentos. Portanto, naquele momento senti uma força Divina, em todo sentido da palavra.
Foi ai que entendi mesmo o que dizemos na yoga...Namastê – o Deus que habita em mim é o mesmo Deus que habita em ti. Sorri e chorei de felicidade! Deus realmente existe! Ele é nossa energia vital, aquilo que existe, e isso sim passou a ser inquestionável para o meu aliviado coração.
Pensei nas músicas, mantras e orações como meio de acessar esse Deus e ativar esse energia estagnada e deixá-la fluir... ouvi o som das ondas, ouvi meu coração, ouvi pássaros, ouvi o silêncio... Era como uma orquestra afinadíssima dando o compasso da vida. Foi incrivelmente lindo.
Claro que ainda assim não me achava apta para sair por ai admitindo tamanha “loucura” (tem sempre alguém para dizer que “todo biólogo é meio doidinho mesmo” hehehe). Deixei esse “Deus por todo lado” guardadinho em meus pensamentos. Eis que dia desses recebi de um grande amigo uma mensagem (não pensem que foi divina...ainda não cheguei nesse ponto rsrsrs!). Uma mensagem dessas de Internet que falava sobre “O Deus de Spinoza”. Adorei! (vou postar para vocês). E não é que o sujeito, lá nos idos do século XVII falava algo bem parecido com o que naquele dia achei ser a “minha eureka”. Para Spinoza, Deus nos manda usufruir da vida com a simplicidade de quem reconhece sua beleza e importância, e não de forma temerosa dos vigiados que arrastam as correntes de culpas humanas. Segundo diz a tal mensagem, era nesse Deus que Einstein também acreditava. Fiquei contente, claro... Imagina: Eu, Einstein e Spinoza jogando no mesmo time! Goooool kkkkkk
Decidi então, finalmente, escrever esse texto aqui. Para dividir com vocês um pouquinho das minhas reflexões e esperar por vocês para um belo bate papo à beira mar, na cachoeira, no mangue, na montanha, em você, em mim...onde quer que Deus esteja, ou seja, em todo lugar!!!! Namastê!

Obs: Baruch (ou Bento, ou Benedictus Espinoza -nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

 Essa foi a tal mensagem...

Einstein quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
Este é o Deus ou Natureza segundo Spinoza (ou Espinosa):
Se Deus tivesse falado:
“Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho...Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportam bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tenha certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora. Não me acharás! Procura-me dentro... aí é que Estou, batendo em ti".
Baruch Spinoza