Mais perigoso que bomba, mais desagradável que coceira, e mais corrosivo que úlcera. Assim é uma mulher “desocupada”.
Pensei nisso hoje quando, devido a uma gripe forte, fiquei de molho em casa ouvindo minha vizinha na maior faxina.
Meu Deus, quanta bobagem passou pela minha cabeça. Pensamentos vazios, aumento de ansiedade, planejamentos sem fundamentos... e isso em poucas horinhas entre um espirro e outro. Imagina dias e dias cuidando de casa e esperando o maridinho chegar!?!?!?!
Fico imaginando que vida levam minhas queridas amigas “do lar”. É uma batalha diária, uma luta sem vitória, uma total falta de brilho. E o “patrão”? Ah! Esse, até que falte alguma coisa ou algo saia mau feito, não dá o menor valor. Ah! E nem paga salário!!!! Eu já tive uma “provinha” disso e afirmo que dói mais do que os músculos no final de um dia de intenso trabalho.
Bem, se eu fosse homem garanto que por uma questão até de estratégia de sobrevivência (minha, dela e do casamento), apoiaria todas as idéias de minha mulher para estudar e trabalhar. Capacitação, especialização, graduação, pós... tudo que ela quisesse. Trabalho remunerado, voluntário, etc. Desde que ela se sentisse apoiada e valorizada valeria qualquer coisa! Digo “estratégia de sobrevivência” porque mulher desocupada gasta mais, cobra mais, aporrinha mais, chora mais, tem mais ciúme, engorda mais, embaranga mais, vê mais novela, aprende menos, ensina menos, se produz menos, evolui menos... ELA fica de menos.
O final de muitas dessas histórias é o camarada se engraçar com uma pirralha, sem nenhuma bagagem, mas com tudo em cima; ou uma colega de trabalho que vive (ao menos lá no trabalho) toda sorridente, de unha feita, cheirosinha, roupinha nova, cheia de “assunto”. Ele pode até não largar a “Maria – dona patroa”, mas os prazeres de estar vivo e eternamente enamorado ele busca em outros caminhos. Afinal, ninguém agüenta uma mulherzinha assim, né? Tu tira a razão dele???? Eu acho que não!!! Por que é tão difícil nós, mulheres, enxergarmos isso?
Está bem, está bem, às vezes dá uma vontade enorme de deixar alguém fazer tudo por mim. Pagar as contas, dirigir, estacionar, educar e brigar com os filhos, chamar o eletricista, subir com as compras, levar o carro no mecânico, etc. Essa vida de mulher moderna caaaaaaansa!!!! Mas definitivamente, o prazer que tenho com a autonomia que conquistei com meu estudo e meu trabalho não é superado por nenhuma recaída de “mulher do século retrasado”.
Joyce Alves Rocha